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domingo, 5 de dezembro de 2010

RIP

tem gente que salta de paraquedas, tem gente que engata uma relação na outra e tem gente que vai na zara todo final de semana.
o paraquedas pode não abrir, trem de relação pode ser uma repetição de erros e de parceiros com o mesmo perfil (ou não) e zara todo final de semana te fode o cartão de crédito.
tem gente que gosta de brincar com a morte.

(q.t.p.s)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

its so easy

tum acelerado
sentar bem do lado
abraço apertado
e tudo começa
com um beijo bem dado.

cura minha insônia com o cheiro forte do seu cigarro que eu sou um bom par. passa aqui em casa, vamos comer chocolate e assistir o horário político debaixo dos edredons.
o grande problema (e talvez a maior qualidade dela também) é que ela era aquela promessa de te tirar da vida mundana. tipo um meteoro incandescente que te leva pra outro mundo, um mundo onde as coisas são empolgantes.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

inferno parte 2 (ou despedida)

pensando freneticamente no porquê, ele alucinava numa realidade paralela. flutuava no passado e desistia do futuro. uma música constante na sua cabeça, chamava o nome de sempre num ritmo de dub, lento e repetido. com os olhos fechados ou abertos, a tentativa era em vão. desistiu e aceitou essa onda constante. era impossivel esquecê-la. aceitou. olhou pra cima. fechou os olhos e sorriu.

inferno parte 1

sabe do que eu mais sinto falta? do seu cheiro. depois que você foi embora fiquei sem coragem de lavar os lençóis de novo, porque eu não queria te perder completamente. era como se fosse uma parte sua que ainda estava ali, e que continuaria ali toda vez que eu me deitasse. isso acabou comigo durante muito tempo, porque eu acordava e sentia o seu cheiro e pensava que você ainda estava lá.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

think

as vezes ela acha que é linda. quando anda e joga o cabelo. principalmente nessa parte. de vez em quando acha que é bonita. principalmente na parte em que olha com os olhos meio claros pra um lado, sem mexer a cabeça. acha que sorri lindamente, principalmente quando fecha os olhos. acha que é atraente, principalmente quando morde o canudo me olhando. ela acha que é tudo isso.
eu acho que é mais um pouco.
(q.t.p.s.)

ps: no final de O Silêncio dos Inocentes, Hannibal Lecter diz a Clarice Sterling: "O mundo fica mais interessante com a sua presença"

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

novembro

o que virá depois? - pergunto então para as luzes da janela atrás dos vidros, e me sinto reconfortado como se houvesse qualquer coisa feito um futuro à minha espera. e espero. espero. são coisas assim em que me pego pensando nessas tardes frias de dias de semana. sentado aqui no degrau gelado eu fumo um cigarro tentando pensar em nada-nada mesmo, tipo um lobo-uivando-para-uma-lua-nem-aí. e rio. e choro.
falava da escada, então vou começar por ela. ela é toda de mármore laminado, frio como a noite, num tom cinza-escuro misturado com preto e branco que forma um arabesque que se retorce degrau acima e degrau abaixo. daí tomo coragem e levanto a cabeça e olho pra rua e consigo ver as pessoas e as luzes da cidade e os carros passando numa velocidade vertiginosa que me faz querer vomitar. são meio cinzas quase transparentes, as pessoas, e os barulhos que elas fazem são estridentes remoendo e guinchando e murmurando nada que me apetece ouvir. conheço bem essas pessoas, e seus gritinhos. mas não quero me apressar. penso que se conseguir dar uma sequencia, terei que dar ordem e depois algum sentido. e penso junto. ou depois, não sei.
assim como se depois do chá fumasse lentamente um cigarro light, olhando para longe, aquecido pelo café e tranquilizado pelo cigarro, enlevado pelo longe e principalmente atento ao que virá depois deste momento. faz tempo que não tomo café, e controlo tanto os cigarros que, cada vez que acendo um, a sensação é de culpa, não de prazer, você me entende?
ah me desculpe. quando eu pergunto 'você me entende' não estou te chamando de burra mas preciso ter a certeza de que você esta olhando pra mim atenta e sorrindo ou não sem apagar esse cigarro que te traz pra mim toda hora. e pergunto pro azul-escuro da madrugada se toda vez que você vem, vem com um porquê. porquê. porquê. passo mal olhando pro horizonte e tento inutilmente desviar o olhar. inutilmente porque meu rosto fica próximo da janela e toda vez que me foco em outro lugar, me apoio nessa parede gelada-feito-madrugada e sento olhando pra esse tapete marrom-e-bege que me dá vertigem também.
dentro de mim, não consigo deixar de pensar que deve haver um sentido, um depois e quando penso nisso e como se alguma coisa se movesse dentro mim e fosse pra esse horizonte infinito nos telhados cinzentos, vestido de branco. nao sei porque exatamente branco, mas brilha. o vento faria esvoaçar o se cabelo cabelo e os panos, e num salto esse alguem dançaria e me puxaria daqui só de sorrir, abrindo essa janela que me prende
não, não diga nada, prefiro não saber que não. nem que sim. você me despreza por estar aqui assim parado? e outra vez, não diga nada. sei que nesse salto você me tiraria desse degrau só com o toque da ponta dos dedos e me levaria pra depois dessa escada, além dessa rua pra andarmos na calçada cheia de luzes. sei também que se você chegasse afastaria uma a uma essas pessoas cinzas e que gritam e me levaria pro conforto da cama do seu quarto, aquela que tem dois travesseiros e uma almofada cheia de bolinhas e a ficaríamos só nós dois sozinhos, deitados nas noites frias de julho, sem ninguém e nada.
queria pensar que é esse o sentido e é esse o depois. o 'volta pra mim', mas não sei se posso. há dias, como hoje, por exemplo, que mal consigo enxergar os panos dançando no horizonte. o dia está muito frio. quando a noite avançar, sei que me encontrará sentado no degrau. e depois que o cinza tiver se transformado em azu depois rosa e violeta e em azul profundo de novo, ainda estarei parado no centro daquela escad, ouvindo gritos e berros e guinchos estridentes e o riso das pessoas. chorarei então. muito alto, com todas as minhas forças, durante muito tempo. não sei se vai ser assim, ou se é assim. mas continuo aqui, sentado, esperando e fumando.

estadosextraordinários

quero ficar sóbrio, pensei. cansei desse porre de mentiras cruas e verdades cozidas, esse pesadelo em círculo que virou um vício. dou mais um trago e dessa vez senti uma queimação forte no peito. preciso parar com isso, e me refiro ao ciclo: o começo leva ao fim que leva ao começo de novo. preciso de outros lugares, de outras pessoas e de bebidas mais fortes. fui com o vento e o tempo passou sem sequer perceber pra onde ele me levou
e assim vou fazendo da minha vida um filme. às vezes eu procuro um roteiro no bolso, algo pra me guiar, pra saber qual a próxima cena. sinto que não sei minha própria fala. mais frequente ainda sou eu sem saber que personagem eu sou. às vezes me assisto. às vezes desisto. perco a direção sobre minhas próprias ações. é um filme estranho. não conheço o enredo, nem meu personagem. um filme só comigo. mudo. preto. branco. sem história. sem começo. sem meio. sem fim.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

o fim e o começo

quando eu era menor, imaginava que num momento ou outro, o que era de valor pra mim seria substituído, seguindo o fluxo normal da vida. ledo engano. o cara que cantava "o tempo passa um dia a gente aprende" tinha toda razão. o tempo passou e as coisas mudaram. mudaram pra um não-sei-o-que-é-mas-é-melhor-que-antes. as férias passaram, nenhum novo amor veio e acordei do porre sem saber onde é que estava esse tempo todo. segui em frente sem saber bem onde estava. encontrei outro rei e juntos fizemos uma corte. e o cortejo prossegue.
as milhões de palavras ditas com enforço de pensamento perderam o significado. as bonitas histórias falsas ficaram pra além do esquecimento. o cortejo desfila e os reis se apresentam.